O jovens estão cada vez mais desinteressados com tudo aquilo que se passa à nossa volta, especialmente no que toca à política e um dos maiores culpados é, sem sombra de dúvidas, a desinformação.
A desinformação, sob a forma de “Fake News”, é considerada pelos especialistas como uma das maiores crises do século XXI, sendo até designada de Infodemia.
Nos dias que decorrem, as Fake News estão presentes no nosso quotidiano sem nos apercebermos. Atualmente, fazemos scroll no feed das redes sociais e passamos pelos conteúdos com indiferença, o que leva a que cada vez mais seja difícil distinguir o que é verdade e o que é mentira.
Os jovens, em especial, estão mais predispostos a este fenómeno, visto que estamos 24 horas sob 24 horas ligados à maior rede de comunicação do mundo, a internet. Esta ação deixa-nos vulneráveis a todo o tipo de informação, seja esta verídica ou não. Ora para verificar a veracidade ficamos sujeitos a um processo crítico e de pesquisa, as quais, muitos de nós, não temos capacidades de efetuar.
Quantas vezes usamos a frase “Ah, mas eu li na internet que…”? A quantidade de “Licenciados da Internet” é grande, mas não podemos ser um deles! Somos especialistas numa matéria porque lemos estudos da universidade “RockBeatles” ou artigos do site “MuitoLouco.pt” ou “TáBonito.com”? Recorrendo a uma frase de Darwin, como referência, “A ignorância frequentemente gera mais confiança do que o conhecimento”.
Nos dias de hoje, é raro ver um jovem que consome sites de notícias, ficando apenas pela informação que absorve ao fazer scroll no Facebook ou no Instagram. E adivinhem lá qual é o tipo de notícias que mais são partilhadas: as Fake News. Estas notícias são amplamente partilhadas que viram verdades para muitos dos seus leitores.
Mas afinal, qual é a intenção das fake news? Bem, é simples, enriquecer as agências que as criam e gerar a manipulação do debate político com mentiras sobre atores políticos concretos, ou seja, manipular a opinião pública! Agora perguntam vocês: “Como assim as agências que as criam?”. Sim é isso mesmo, existem agências que se dedicam à constante disseminação e criação de desinformação de forma a obter lucros através da publicidade e das partilhas!
Visto que o principal consumo de informação dos jovens portugueses se baseia nas redes sociais, a imprensa nacional entrou em crise. Isto levou a que fosse necessário criar títulos sensacionalistas para que as pessoas abrissem o artigo, clickbait. Vou dar um exemplo: “António Costa discute com Macron” e “Portugal e França discutem futuro da Europa”. Se no vosso feed surgissem estas notícias, na qual um dos títulos é “mais apelativo” e no outro politicamente correto, qual delas iriam abrir? Pois, a que tem o título apelativo. O conteúdo é o mesmo, mas a maneira de chamar à atenção do leitor é outra!
Já entendem porque digo que a grande culpada pelo desinteresse dos jovens face à política é a desinformação? Muitos dos jovens nem abrem a notícia, ficam apenas pelo título sensacionalista que os leva a ter uma má visão da política. O que é que isto gera? Desconfiança para com os políticos, insegurança no sistema político do nosso país! E o mais importante de referir é que proporciona altas percentagens de abstenção, tal como temos visto nos últimos tempos!
São poucos os jovens à minha volta que têm a noção da importância da democracia no nosso país, o que me entristece profundamente. O “não quero saber disto para nada” muitas vezes dito por nós, jovens, deixa-me extremamente preocupado, pois a democracia é a base para uma sociedade igualitária e livre.
E se é a desinformação das maiores crises do século, é a profissão de jornalista a mais importante para manter a democracia e a liberdade!
Mas se a desinformação é algo assim tão importante porque é que o Governo português não intervém? Camaradas, na verdade, há cerca de 3 ano, foi promulgada, a Carta Portuguesa dos Direitos Humanos da Era Digital, redigida pelo deputado José Magalhães do Partido Socialista. Esta é a primeira lei portuguesa que combate a desinformação! Mas calma, esta lei tem menos de um ano e custa a ser posta em prática. “Ah, mas o que faço eu até lá?” Epah! O que já devias ter feito há muito tempo! Pensa antes de partilhar, confirma a fonte, subscreve/assina um jornal online e confirma o jornalista que escreveu o artigo!
*Imagem ilustrativa.

