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A fé que move e inspira vidas

Numa era em que a religiosidade é muitas vezes posta em causa, e em que a Igreja acaba por estar envolvida em diversas polémicas, há quem acredite, de forma convicta, na fé e na presença do Senhor Santo Cristo. Sofia Felgar, Madalena Borges e Sandra Oliveira têm, na fé, uma força que as move no dia a dia e que as leva a fazer uma promessa.

Madalena Borges, 22 anos, estudante universitária na Universidade dos Açores, participou na procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, uma semana após ter realizado a sua bênção das pastas, como um ato de fé.

Para Madalena, essa é uma forma de demonstrar devoção, agradecer e refletir sobre a sua vida e os seus valores. Representa também uma das maiores expressões de fé e de identidade cultural dos Açores. A procissão revela-se um momento de união entre as pessoas, marcado pela tradição e pela espiritualidade. A estudante admite que a procissão influencia os valores dos jovens açorianos, sobretudo ao transmitir respeito pelas tradições, que atualmente considera estarem a perder-se, bem como valores de solidariedade, sentido de comunidade e devoção.

A estudante decidiu participar este ano na procissão por sentir uma ligação especial à tradição, enquanto açoriana. O facto de ter tido a oportunidade de estender a sua capa da universidade ao Senhor Santo Cristo também foi um dos motivos que a levou a participar neste evento, que considera uma oportunidade única e especial. O seu objetivo pessoal relacionado com a sua participação na procissão é, principalmente agradecer por acontecimentos importantes e pedir força e proteção para o futuro.

A jovem refere que é importante preservar esta tradição religiosa por fazer parte da história e da identidade cultural açoriana. Para a estudante, muitos jovens continuam interessados, mas de diferentes formas: uns participam pela fé, outros pela tradição familiar ou pelo sentimento de pertença à comunidade. A modernidade influencia bastante a forma como os jovens vivem a tradição, de modo mais pessoal e menos obrigatório, afirma Madalena, concluindo que isso não significa que tenha menos valor.

“O Senhor Santo Cristo simboliza esperança, proteção e força espiritual. É também um símbolo de união e continuidade das tradições açorianas.” Madalena Borges.

Sofia Felgar, de 21 anos, estudante na Universidade dos Açores expressa que a Procissão do Senhor Santo Cristo representa para si, a fé e união, por ser uma tradição com muita energia e um momento de reflexão pessoal. Este ano, Sofia decidiu pela primeira vez ir nesta caminhada, junto aos jovens universitários, com o propósito de cumprir uma promessa, ao qual pediu ao Senhor Santo Cristo para se realizar, considerando isto um verdadeiro ato de fé.

Sofia Felgar, reconhece que a realização desta Procissão, traz valores como respeito, união e tradição aos jovens, reconhecendo a importância cultural das festas do Senhor Santo Cristo, onde é de extrema importância preservá-la e também manter viva uma parte muito importante da Açorianidade.

A jovem universitária tem uma visão em relação a isto: a modernidade veio dar uma outra visão aos jovens, de como viver estas experiências, mas, acredita que o sentimento em relação à fé e ao percurso de procissão ainda se mantêm vivas e com o mesmo intuito de sempre. A imagem do Senhor Santo Cristo representa para Sofia, a fé, a força e a esperança onde em momentos difíceis agem como proteção.

Sandra Oliveira, de 42 anos, residente na freguesia dos Ginetes, Ponta Delgada é mãe de 3 filhos. Esta, refere que o que a levou a fazer a promessa foi num ato de fé e que a mesma foi essencial na sua vida. Sandra, descreve esta devoção em duas palavras, fé e esperança. Para os Açorianos a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres é comovente, Sandra, ao ver a imagem passar na procissão sente alívio, e algo bom dentro de si floresce que não consegue encontrar palavras para o descrever. A entrevistada diz nos que a promessa foi feita quando estava grávida do seu filho mais novo, sendo uma gravidez de risco pelo facto da sua idade, Sandra pediu fé e esperança ao Senhor para que ambos ficassem bem, atualmente, Lourenço, o seu filho mais novo tem 2 anos e é uma criança saudável e feliz. Ao cumprir a promessa o seu sentimento foi de alívio pois o seu dever ali já estava cumprido.

Os testemunhos de duas estudantes açorianas, Madalena Borges de 22 anos, da ilha terceira, Sofia Felgar de 21 anos, de São Miguel e Sandra Oliveira de 42 anos reforça que embora haja experiências de vida diferentes, há algo que as une, a fé, esperança e a identidade cultural.

As estudantes universitárias relatam uma ligação especial à tradição açoriana que está ligada à procissão e à possibilidade dos universitários pousarem as capas para que o andor do Santo Cristo dos Milagres as abençoe e consideram uma das maiores expressões de fé e de identidade cultural dos Açores. A procissão também é marcada pelo sentimento de propósito depois de muitas promessas realizadas para que possam concluir os seus cursos.

Embora ainda seja uma tradição é sentida a diferença de tradições pelas gerações de universitários, onde podemos considerar que a geração atual vivencia esta tradição de forma mais pessoal e menos obrigatória.

A outra grande parte da população tem ligação a este momento religioso também por fé, mas por promessas com motivos diferentes, sendo o principal a saúde de familiares. Destacando também como momento marcante a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres. No caso de Sandra Oliveira a sua promessa não é por motivos de realização, mas sim como bênção pela saúde do seu filho mais novo.

As festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres continuam a reunir milhares de pessoas das diversas faixas etárias, e não cinge-se apenas a uma festa religiosa, mas também como um marco da identidade açoriana que une diferentes gerações, experiências de vida e promessas.

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