A praxe académica continua a ser uma das tradições mais marcantes da vida universitária dos estudantes da Universidade dos Açores (UAç), sobretudo para quem chega pela primeira vez a um ambiente completamente novo. Na UAç, a praxe assume um papel que vai muito além das músicas, dos gritos académicos ou das atividades representa um espaço de integração, partilha e criação de laços que acompanham muitos estudantes para o resto da sua vida.
Para muitos caloiros, o início da universidade é acompanhado por receios naturais. O medo de não conseguir fazer amigos, de não se integrar no curso ou de enfrentar sozinho uma nova fase da sua vida. É precisamente nesse contexto que a praxe surge como uma ponte entre pessoas. As atividades, os convívios e os momentos em grupo permitem quebrar rapidamente o gelo e aproximar pessoas que, de outra forma, talvez demorassem meses a conhecer-se verdadeiramente.
Quando os caloiros sobem um degrau e passam para “semi-putos”, os estudantes deixam de ocupar apenas o papel de “integrados” para começarem também a integrar os novos colegas. Essa transição traz consigo um sentido de responsabilidade e continuidade. Os chamados “semi-putos” começam a perceber que a praxe não vive apenas das tradições herdadas, mas também da forma como cada geração as preserva e as adapta. Para Martim Reis e Filipe Garcia a praxe é definida em três palavras sendo estas respeito, amizades e integração.
Ao longo do tempo, também se torna evidente a necessidade de evolução, os estudantes mudam, as mentalidades transformam-se e a própria praxe precisa de acompanhar essa mudança para continuar a ser um espaço saudável e inclusivo.
Na praxe há pessoas que se tornam indispensáveis e que sem eles nada faria sentido sendo estes o Magnânimo Dux e a comissão de Veteranos. Para muitos pertencer à comissão é o subir de um degrau de grande responsabilidade e dedicação a esta comunidade.
Filipe Garcia fala-nos da sua experiência em pertencer à comissão de Veteranos.
Quando chega o momento da despedida, na reta final do percurso universitário, muitos recém-queimados olham para trás com nostalgia. A praxe passa então a representar uma coleção de memórias que ajudam a definir a própria experiência académica. Entre amizades para a vida e histórias e momentos inesquecíveis, fica a sensação de dever cumprido e a certeza de que o testemunho continuará nas gerações seguintes.
Na Universidade dos Açores, a praxe continua a ser, para muitos estudantes, um símbolo de união académica. Uma tradição que, quando é vivida com respeito e espírito de comunidade, transforma simples colegas em verdadeiras famílias académicas










