As bandas filarmónicas são um símbolo cultural e social da região e têm um grande contributo na formação da identidade do povo açoriano. Pessoas de diferentes idades e géneros integram estas instituições, onde muitos encontram uma segunda casa. Esta é uma tradição que se mantém desde o século XIX. Atualmente, 95 bandas filarmónicas dão música aos Açores, sendo uma das maiores concentrações de bandas filarmónicas do mundo, segundo a SIC Notícias.
A maior parte da agenda musical das filarmónicas açorianas está diretamente relacionada com a religião. As festas religiosas, símbolo da fé e devoção do povo açoriano, são fundamentais para manter estas instituições em funcionamento. No verão, quase todos os fins de semana são dedicados a eventos religiosos, como procissões e concertos. Para que isto seja possível, os músicos abdicam do seu descanso e do tempo em família para estar ao serviço da banda. Estes eventos também são importantes para as bandas, pois permitem mostrar à população o trabalho desenvolvido ao longo do ano..
É na escola de música da banda que tudo começa. Quando ingressam na banda filarmónica, as crianças e jovens começam por ter aulas, para mais tarde se juntarem aos ensaios e aos serviços. Depois desta fase inicial, o compromisso passa a fazer parte da rotina. Durante todo o ano, e em especial no inverno, as bandas ensaiam, pelo menos, duas vezes por semana. Esta dedicação exige esforço, tempo e compromisso por parte dos músicos, que se mantêm ligados à banda ao longo de todo o ano.
Apesar deste percurso dentro das bandas, relatos de músicos dão conta de que, atualmente, muitos jovens acabam por se afastar das filarmónicas, deixando de lado uma das mais antigas tradições da região. Este afastamento coincide com o aparecimento das novas tecnologias, a que os jovens têm acesso cada vez mais cedo, mas também com o grande número de atividades extracurriculares, como o desporto, que faz com que as prioridades dos jovens fiquem definidas desde cedo.

Por este motivo, a relação entre os músicos mais experientes é essencial, desde a experiência às trocas de conhecimento, para ajudar a integrar os músicos iniciantes e mantê-los nas bandas para que esta tradição não acabe. É essencial os músicos terem uma boa relação entre si e, também, com o maestro para se manter o bom funcionamento da banda.
Numa época marcada pelo abandono de tradições, as bandas filarmónicas constituem um espaço de partilha e união entre o povo açoriano, resistindo como um dos maiores símbolos da cultura da região.










