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Entre escombros e ruínas: uma tragédia que ficou na memória

Foto: Catarina Amaral

Podia ter sido uma tarde de sábado como qualquer outra, mas a mãe natureza tinha outros planos. Foi no dia 14 de dezembro de 1996, que a vida dos habitantes da vila da Povoação mudou.

Em apenas 15 minutos, a forte precipitação que se fazia sentir transformou-se rapidamente em correntes de água que entraram pela vila adentro, fazendo transbordar ribeiras e provocando deslizamentos de terra em várias freguesias por todo o concelho, típico das chamadas “cheias rápidas”, muito recorrentes na Povoação. As zonas mais afetadas incluíram a vila da Povoação, bem como as freguesias do Faial da Terra e da Ribeira Quente, onde a força da água provocou destruição significativa em habitações, estabelecimentos, estradas, pontes e terrenos agrícolas.

Apesar de não ter atingido a dimensão trágica de outros episódios semelhantes na região, como foi o caso das cheias da Ribeira Quente, apenas um ano depois, que vitimizaram 29 pessoas, o impacto material e social das cheias foi considerável. Famílias viram as suas casas inundadas ou destruídas, comerciantes perderam os seus negócios e fonte de rendimento e até mesmo um jovem casal que celebrava o seu amor através do matrimónio, viu o seu dia de sonho ser arruinado quando a força da água arrastou cerca de 60 carros pela rua da igreja abaixo.

Homens e mulheres que foram ali criados, viram o seu lar cair em autênticas ruínas. O desespero tomou conta da população quando perceberam que havia pessoas dentro desses mesmos carros. Naquele momento, a fragilidade do ser-humano foi posta em causa num jogo onde só um lado sairia vencedor. Não havia diferença entre a ribeira e a estrada, apenas era notória a cor barrosa da água, da lama e dos troncos que o mar arrastou para terra. Num momento onde foi preciso lutar pela vida, houve mesmo quem subisse aos telhados dos edifícios ou até mesmo à paragem do autocarro. Mas os povoacenses são um povo marcado pela resistência. Quando tudo acalmou, bombeiros e população juntaram-se para fazer face ao desastre e os trabalhos de limpeza começaram. Para além dos apoios do Governo Regional, chegaram, vindos do Canadá e dos EUA, doações em forma de dinheiro, roupa e bens de primeira necessidade enviados pelas comunidades portuguesas nesses países.

Lúcia Amaral, conta-nos a sua particular experiência de uma mulher que estava prestes a dar à luz, no meio da desgraça.

Foto: Catarina Amaral

Três décadas depois, as cheias da Povoação de 1996 não permanecem apenas no passado, continuam presentes na memória, nos relatos e nas marcas deixadas em quem viveu aquele terror. Na Povoação, a memória persiste, não como um eco distante, mas como uma lembrança viva que insiste em permanecer.

Fonte complementar: https://acores.rtp.pt/local/grande-reportagem-25-anos-cheias-povoacao-som/

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