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Mercado da Graça mantém viva a tradição

José Manuel é cliente assíduo do Mercado da Graça há cerca de 45 anos. Todas as sextas-feiras vai lá fazer as suas compras semanais, compra peixe, frutas e legumes. Tem como preferência o mercado devido à frescura e qualidade dos produtos e ao facto de se sentir ao ar livre. E é neste espaço, dos mais tradicionais de Ponta Delgada, que parte da história e da identidade de São Miguel se mantêm vivas.

Até ao século XIX não existiam locais próprios para a venda de produtos agrícolas e gado. Foi em 1848 que o mercado foi inaugurado, com o objetivo de estruturar o comércio local, reunindo pescadores, agricultores e vendedores num único espaço. Ao longo dos anos, o Mercado da Graça foi sendo adaptado e melhorado para responder às necessidades de quem vende e de quem compra.

Localizado no centro da cidade, perto da zona histórica, o Mercado está situado numa localização favorável, facilitando o acesso tanto para os locais como para os turistas. A arquitetura é funcional: dois pisos, um para o estacionamento e o outro para o comércio, onde as cores vibrantes das frutas e o aroma das flores definem o ambiente. Um espaço aberto e amplo, que convida a uma experiência simultaneamente acolhedora e animada.

O Mercado da Graça tem uma grande importância para a população de Ponta Delgada. Para além de ser um ponto de encontro de vendedores de variados produtos, ainda é uma mais valia para a economia da ilha açoriana, visto que apoia os produtores locais, venda de produtos regionais, como o ananás e atrai movimento para a cidade.

Catarina Botelho é vendedora habitual no Mercado da Graça e confessa que houve uma quebra muito significativa nas vendas, já que muitos dos clientes habituais pararam de frequentar o mercado. Outro ponto que Catarina salienta são as más condições no local, o que fez com que muitos comerciantes desistissem de vender no Mercado, por estarem numa “cave”, algo que consideram desumano.

Em setembro de 2021 o Mercado fechou para obras. Tinha reabertura prevista para agosto de 2022. Poucos dias antes desta data, a suspensão da obra foi anunciada. A justificativa: o projeto de “Segurança Contra Incêndios”. Entretanto o tempo passou e, ao todo, foram longos quatro anos de espera em condições precárias de saneamento.

A reabertura do Mercado da Graça não foi isenta de polémica, muito por conta da proximidade das eleições. Mesmo após as obras, os comerciantes continuam a queixar-se que o espaço continua incompleto, sem estacionamento e sem resolver os problemas de escoamento. Ainda assim, reforçam a satisfação pelo regresso: voltaram à sua tradição e, nas suas palavras, a ver a luz do dia.

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