
Ivo Cruz sempre quis salvar vidas. Durante seis anos, encontrou na profissão de nadador-salvador uma forma concreta de cumprir esse desejo. A praia tornou-se o seu espaço de trabalho, mas também um lugar de responsabilidade, atenção permanente e aprendizagem.
Ao contrário da maioria das pessoas, que associa o verão às férias, Ivo não se identificava com essa realidade. Vivia sozinho, tinha contas para pagar e viu nesta profissão uma oportunidade. O trabalho, no entanto, revelou-se exigente.
Ivo Cruz refere que ser nadador-salvador é uma profissão extremamente pesada, sobretudo pela carga horária de 10 a 12 horas por dia. São muitas horas em pé, sob exposição solar constante. O facto de muitos profissionais receberem através de recibos verdes também não é visto como um ponto positivo.
Ainda assim, considera que é um trabalho que vale a pena.
Para Ivo, ajudar os outros é gratificante. Todos os nadadores aprovados no curso e que começam a trabalhar acreditam estar preparados para tudo. Porém, segundo relata, há sempre situações para as quais ninguém está totalmente pronto. No seu caso, foi no primeiro salvamento que tudo mudou.

O antigo nadador-salvador deixa também alertas aos banhistas. Defende que é essencial conhecer as zonas mais seguras e perceber quais são os locais mais difíceis para nadar. Dá como exemplo os Poços de São Vicente, uma zona mais pacata, com piscinas naturais mais fechadas, onde a segurança deve ser controlada sobretudo pela profundidade da água.
O maior perigo surge quando o mar apresenta condições adversas.
Ivo destaca os agueiros, que descreve como bancos de areia que se formam dentro de água, com um aspeto mais claro e espumoso. Quando este fenómeno é visível, aconselha os banhistas a evitarem entrar na água nessa zona.
Para além dos riscos do mar, ser nadador-salvador também implica lidar com situações externas e imprevisíveis. Foi esse lado da profissão que marcou o pior salvamento da sua vida.
Ivo Cruz incentiva os jovens a formarem-se para salvar vidas. Considera que o curso de nadador-salvador oferece uma boa preparação e uma bagagem importante para o futuro. Mesmo que a pessoa não venha a exercer a profissão, pode vir a ajudar alguém numa situação de emergência.

Durante dois anos, Ivo foi coordenador de nadadores-salvadores. Hoje, já não exerce o cargo devido à sua vida profissional. Ainda assim, não abandonou a praia. Continua a frequentá-la como banhista, depois de ter escolhido a estabilidade de um contrato de trabalho em vez dos recibos verdes sazonais.
Atualmente, Ivo Cruz trabalha como monitor de atividades de terra na Picos de Aventura, onde acompanha bike tours, trilhos, canyoning, van tours, bus tours e canoagem. A adaptação foi fácil, uma vez que já tinha praticado canyoning antes de integrar a equipa.
O gosto pelos desportos radicais ajudou-o a juntar o útil ao agradável. Continua ligado à água, ao movimento e ao contacto com pessoas.
Apesar da mudança profissional, Ivo Cruz não descarta a possibilidade de voltar, no futuro, à responsabilidade de nadador-salvador. A satisfação de ajudar os outros continua presente.










